quinta-feira, 15 de junho de 2017

Misterioso, 'Stonehenge da Amazónia' intriga pesquisadores do Amapá

Megálito foi construído por índios em Calçoene (Foto: Mariana Cabral/Iepa)

Megálito foi construído por índios em Calçoene (Foto: Mariana Cabral/Iepa)

Monumento semelhante a megálito inglês foi erguido no meio da selva. Usado para funerais, local é objeto de pesquisas arqueológicas.

Um conjunto de grandes rochas fincadas no solo no meio da selva amazónica virou um mistério para pesquisadores amapaenses. Os estudos sobre a função do monumento construído por povos milenares em Calçoene, a 374 quilómetros de Macapá, iniciaram em 2005 e ainda não se mostraram totalmente conclusivos.

Apesar de as pesquisas ainda tentarem encontrar informações que cercam o megálito - monumento formado por pedras - no meio da floresta, arqueólogos que se dedicam ao caso no Instituto Estadual de Pesquisas do Amapá (Iepa), já conseguem afirmar que ele é bastante antigo, tendo sido erguido há pelo menos 1.000 anos depois de Cristo.

A utilização dele pelos povos da região teria sido por pouco mais de 500 anos até os primeiros contactos com os europeus.

As estruturas de pedra em Calçoene estão dentro de uma área de 120 hectares que abrange um megálito maior em formato circular com outros cinco menores ao redor, e acabaram sendo chamadas de 'Stonehenge da Amazónia' em comparação ao semelhante famoso monumento megalítico inglês.

"Como pesquisadores, não gostamos muito de chamar de Stonehenge porque dá a impressão de que é uma imitação, sendo que é uma criação autêntica do povo da Amazónia", destacou o arqueólogo do Iepa João Saldanha.


'Stonehenge da Amazónia' é comparado ao da Inglaterra (Foto: Mariana Cabral/Iepa; Tahiane Stochero/G1)

A área foi descoberta pelos pesquisadores em 2005. À época, o monumento chamou a atenção e fez o governo do Amapá comprar os hectares para serem objeto de estudo de arqueólogos a fim de tornar a região uma atração turística.

Atualmente, no entanto, existe apenas uma casa próximo ao sítio que abriga os arqueólogos em pesquisa de campo e um funcionário do Iepa que faz a segurança do parque, distante 30 quilómetros da sede de Calçoene.


Urnas funerárias foram encontradas no sítio de Calçoene (Foto: Mariana Cabral/Iepa)

Durante os anos de estudos, arqueólogos descobriram que a área tem urnas funerárias enterradas com restos mortais de índios. As características das esculturas feitas em cerâmica indicaram que a região foi habitada pelo povo Arawak, que tem como descendentes os indígenas da etnia Palikur, que atualmente ocupam a fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa.

As urnas também indicaram que o local era usado para funerais de maneira diferente como habitualmente ocorre atualmente. Os índios tratavam o ato como uma cerimônia festiva. Itens usados para fazer cerveja artesanal estavam entre os vestígios que indicaram a tese.

"Eles [índios] passaram por todo um processo pela colonização europeia e hoje em dia não tem mais esse tipo de ritual, com urnas funerárias e construção desses centros de cerimónia. Pelo que vimos nos vestígios encontrados, o cerimonial era uma festa. Constatamos vestígios de cerâmica, que provavelmente era usada para cerveja de mandioca ou milho, além de pratos, que devem ter sido utilizados para servir alimentos", explicou João Saldanha.


João Saldanha, pesquisador do Iepa (Foto: Mariana Cabral/Iepa)

Devido a posição das pedras e buracos no meio das rochas, arqueólogos também apontam para a possibilidade de o monumento ainda ter sido usado para acompanhamento de mudanças do período de estiagem para o chuvoso, duas únicas estações meteorológicas no Amapá em razão da linha do Equador.

Os estudos no 'Stonehenge da Amazônia' não pararam e pretendem descobrir respostas a questões que ainda cercam o monumento, a exemplo de como ocorreu a construção do sítio a partir do transporte de rochas e posicionamento preciso no solo em meio ao tamanho e peso gigantesco delas, além de como funcionava o trabalho braçal dos povos indígenas milenares para a criação do lugar.

Enquanto os pesquisadores buscam responder às perguntas pelo meio científico, a recente descoberta de urnas funerárias na área acabou virando um motivo a mais para lendas de moradores da região, que dizem perceber vultos e ouvir vozes supostamente indígenas.

"Existem lendas, como fantasmas, luzes, mas passamos muito tempo por lá e nunca vimos nada. Um sítio desse tipo chama muita atenção e as pessoas acabam interpretando de maneira um pouco exagerada", comentou o arqueólogo João Saldanha.


Lugar seria usado para rituais funerais em Calçoene (Foto: Mariana Cabral/Iepa)


Pesquisas em sítio de Calçoene continuam (Foto: Mariana Cabral/Iepa)

fonte: G1

Nova espécie de peixe transparente é descoberta no Rio Negro, no AM

O Cyanogaster noctivaga foi descoberto durante expedição de três pesquisadores brasileiros e um alemão no Rio Negro, em 2011 (Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)

O Cyanogaster noctivaga foi descoberto durante expedição de três pesquisadores brasileiros e um alemão no Rio Negro, em 2011 (Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz)

Peixe de 2 centímetros foi capturado a 846 km de Manaus. Expedição de três pesquisadores brasileiros e um alemão fez o achado.

Uma equipe formada por três pesquisadores brasileiros e um alemão conseguiu descobrir uma nova espécie de peixe na Amazônia. Em meados de novembro de 2011, uma expedição de 15 dias, na região do município de Santa Isabel do Rio Negro, a 846 quilômetros de Manaus, possibilitou a captura de um peixe transparente denominado Cyanogaster noctivaga. Com dois centímetros de comprimento, o animal nunca havia sido identificado na literatura científica, de acordo com a líder da expedição, a bióloga Manoela Marinho.

O objetivo do grupo era capturar peixes de pequeno porte. Durante três turnos diários, os pesquisadores se deslocavam a diferentes áreas do Rio Negro, no município de Santa Isabel (AM). Marinho, que atua no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), contou que o tamanho, a cor e a transparência do pequeno peixe chamaram atenção. "Em diferentes momentos da expedição, a espécie nova só foi capturada à noite. Daí concluímos que se trata de um peixe de hábitos noturnos", afirmou a bióloga.

A pesquisadora disse que as características do peixe obrigaram à definição de uma nova espécie. "Consultamos a literatura científica e vimos que esse peixe tinha um conjunto de características que eram tão únicas que faziam dele uma espécie nova. Então criamos um gênero novo, para melhor classificar esse peixe”, acrescentou.

A denominação Cyanogaster noctivaga faz referência à coloração e aos hábitos do peixe. Enquanto o primeiro nome “Cyanogaster” significa “estômago azul”, “noctivaga” faz menção ao “vaguear noturno” da espécie.


Pesquisadores capturaram o Cyanogaster com auxílio de rede (Foto: Arquivo Pessoal/Manoela Marinho (USP)

Além de Manoela Marinho, a expedição contou com a participação dos brasileiros Mônica Toledo-Piza e George Mattox. O alemão Ralf Britz, do Museu de História Natural de Londres, registrou as imagens da viagem e da nova espécie. Em entrevista ao G1, Britz, que é especialista nesse tipo de pesquisa, afirmou que a escolha do Rio Negro para o trabalho havia sido respaldada por uma expedição anterior, feita por Maoela, Mônica e George na região de Santa Isabel. “Essa expedição deles nos mostrou que poderíamos encontrar peixes de pequeno porte ali. Percebemos também que o Rio Negro parece abrigar mais peixes em miniatura do que qualquer outro rio amazônico”, ressaltou.

Para capturar um peixe com 2 centímetros de comprimento e corpo transparente, o quarteto coletou amostras em diferentes locais e habitats nos arredores de Santa Isabel. Segundo o alemão, uma noite os pesquisadores jogaram uma rede perto de uma praia rochosa e notaram um número de pequenos peixes transparentes nadando rápido. “A luz das nossas lanternas foi refletida pelos peixes e fez com que os seus corpos ganhassem uma cor azul brilhante. Naquele momento, vimos que tínhamos encontrado algo diferente”, lembrou.


Descoberta é "nova peça no quebra-cabeça da evolução dos peixes", disse Ralf Britz (Foto: Reprodução/Ichthyological Exploration of Freshwaters)

Ao ver o cardume, Britz tirou aquela que define como “uma das fotos mais difíceis que já fez”. “O Cyanogaster é extremamente frágil e morreu segundos depois de ser transferido para um tanque específico para fotos. Então, na primeira noite eu não consegui uma imagem boa. Na segunda noite eu coloquei o tanque próximo à superfície da praia. Com a ajuda de George, joguei uma rede e, assim que capturamos aquelas preciosidades, as transferi para o tanque com uma colher grande, para que elas não ficassem um só segundo fora d´água”, relatou. A estratégia deu certo e os peixes conseguiram sobreviver o suficiente para que o pesquisador fizesse seus registros. “Quando eu mostrei o resultado para o resto da equipe todos ficaram sem palavras. Foi ali que vimos toda a beleza da espécie pela primeira vez. Descobrir um peixe tão diferente em um lugar inesperado é um daqueles momentos na vida que você vai lembrar para sempre e vai contar para seus filhos e netos”, continuou o alemão.


Em um registro de Britz, os pesquisadores brasileiros Manoela Marinho e George Mattox
(Foto: Arquivo Pessoal/Ralf Britz) 

E como uma descoberta desse porte influencia o campo da ciência? Na opinião do pesquisador, a equipe conseguiu encontrar uma nova peça no quebra-cabeça da evolução dos peixes. “Nós fornecemos uma descrição detalhada da espécie, incluindo a sua anatomia, para usufruto de todos os estudiosos dessa classe. Descobrir algo assim é emocionante, até pela beleza e a sutil combinação do corpo transparente e do abdômen que reflete a cor azul do Cyanogaster”, resumiu.

Já a bióloga Manoela Marinho considerou a possibilidade de outras espécies de peixe de pequeno porte entrarem em extinção antes mesmo de serem descobertas. “A quantidade de peixes encontrada no Rio Amazonas é única no mundo, e ainda há muito que descobrir. É importante que essa biodiversidade seja conhecida e preservada, visto que o futuro do planeta é extremamente dependente das relações humanas com o meio ambiente”, frisou.


Imagem do Cyanogaster noctivaga morto (Foto: Reprodução/Ichthyological Exploration of Freshwaters)

A coordenadora do Departamento de Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) em Manaus, Lúcia Helena Rapp PyDaniel, acredita que a descoberta evidencia ainda mais a riqueza da biodiversidade amazônica e a importância de se desenvolver mais trabalhos na região. Segundo ela, muitas espécies já foram descobertas ao longo dos anos, mas estão em processo de descrição. "Isso apresenta uma enorme diversidade de peixes, com muitas formas ainda a serem descobertas", disse.

Sobre a espécie encontrada no Rio Negro, Lúcia PyDaniel disse que o Cyanogaster noctivaga pertece a um grupo de peixes que habita o local há poucos anos. "Apesar do pouco que sabemos ainda sobre evolução da biota amazônica, esta espécie pertence a um grupo de peixes que não é dos mais antigos. Com certeza, essa espécie, como várias outras de pequeno porte, tem um papel no ecossistema que habitam, papel esse que ainda temos que entender melhor", explicou.

A pesquisadora, especialista em Sistemática Filogenética de Peixes, disse ainda que estudiosos do Inpa já descreveram dezenas de espécies novas de peixes nos últimos 20 anos de trabalhos no Rio Negro. "O ano passado o Inpa participou de uma expedição para a área de Santa Isabel onde diversas coletas foram realizadas. Porém, o Rio Negro , por si só, é um ambiente complexo e apresenta uma grande diversidade de ambientes e igarapés. É portanto, um ambiente muito propício a novos descobrimentos", concluiu.

fonte: G1

Disparo tecnológico: China lança telescópio de raios X para estudar buracos negros


Na quinta-feira (15), a China lançou para o espaço o seu primeiro telescópio espacial de raios X, desenhado para estudar buracos negros, informa a agência Xinhua.

O Telescópio de Modulação de raios X duros (HXMT, sigla em inglês) foi levado para uma órbita com uma altitude de 550 km com ajuda do foguete Grande Marcha 4-B, foi lançado às 11h00 hora local, a partir da base de lançamento Jiuquan, no deserto de Gobi, informa a agência.

O telescópio espacial possui capacidades únicas para observar objectos espaciais de elevada energia, tais como buracos negros e estrelas de neutrões, disse o responsável pelo telescópio, Zhang Shuangnan, investigador da Academia Chinesa de Ciências. Cientistas chineses esperam que o telescópio ajude a resolver os enigmas da evolução de buracos negros e campos magnéticos fortes das estrelas de neutrões.

Segundo Shuangnan, o telescópio espacial chinês conta com uma maior área de detecção, uma faixa de energia mais ampla e um campo de visão mais vasto quando comparado com equipamentos espaciais de outros países.

O HXMT funcionará numa faixa de energia ampla de 1.000 a 250.000 electro-volts e poderá realizar tarefas, que antes eram realizadas por vários satélites ao mesmo tempo.

fonte: Sputnik News

Rainha da Suécia acredita que o Palácio é assombrado por fantasmas


A rainha Silvia da Suécia acredita que o Palácio Real é assombrado. Segundo a rainha, ela partilha o Palácio de Drottningholm com "pequenos amigos... fantasmas".

"É muito excitante. Mas não fico assustada", ela disse num documentário, que será transmitido pela televisão estatal da Suécia, esta quinta-feira.


Perto de Estocolmo, o edifício é a residência permanente da rainha e do seu marido, o rei Carlos XVI Gustavo. "Às vezes sinto que não estou completamente sozinha", a rainha disse aos realizadores, insistindo que os seus alegados colegas de casa são "muito amigáveis".

A princesa Cristina - irmã do rei - apoiou a teoria da rainha, dizendo que a casa tem muita energia.

Um website sueco brincou com o assunto ao dizer que "os bravos caçadores de fantasmas amadores" poderia visitar o palácio, de modo a comprovar os rumores.


A rainha Silvia casou com o rei Carlos há 40 anos, é filha de um empresário alemão e de uma brasileira.

No livro "The Royal Year" de 2015, Silvia confessou que estava muito sozinha durante os seus primeiros anos como rainha e que era difícil viver num palácio dominado por homens.

A rainha foi internada no hospital antes do Natal, depois de sentir tonturas, mas deram-lhe alta dois dias depois.

fonte: SIC Noticias

Casal oferece salário milionário para trabalho em casa assombrada


Atividades sobrenaturais levaram as últimas cinco amas a despedirem-se.

Uma família colocou um anúncio na internet, à procura de uma ama para cuidar dos dois filhos, onde afirma pagar um ordenado de 56 mil euros, no Reino Unido. 

Mesmo com um salário milionário a família parece não encontrar alguém que fique com eles. As últimas cinco amas despediram-se por actividades sobrenaturais. 

A casa da família britânica é conhecida por estar assombrada. 

A pessoa que aceitar viver com presenças indesejadas, além de ter um ordenado milionário para cuidar de duas crianças, uma de cinco anos e a outra de sete anos, terá a seu dispor uma cozinha privada, 28 dias de férias anuais e um quarto, onde passará obrigatoriamente quatro noites por semana. 

Na famosa casa assombrada, é normal ouvirem-se barulhos estranhos, vidros a partirem-se e móveis a moverem-se sozinhos, segundo antigas trabalhadoras que não se mostraram corajosas o suficiente para este trabalho.

Há uma nova espécie de réptil (extinta) no Brasil

A nova espécie de carnívoro já parecida com os mamíferos

A nova espécie de carnívoro já parecida com os mamíferos VOLTAIRE PAES NETO


A nova espécie comparada com um gato doméstico VOLTAIRE PAES NETO

O maxilar foi encontrado há 30 anos no Rio Grande do Sul. Agora percebeu-se que é mesmo uma nova espécie.

Decorria o ano de 1988 quando dois padres caçadores de fósseis encontraram um fragmento de um maxilar no município de Vale Verde, no Rio Grande do Sul, Brasil. Daniel Cargnin (1930-2002) e Abraão Cargnin (1930-2006) eram irmãos gémeos e paleontólogos amadores. O fóssil acabou por ser levado para o Museu Daniel Cargnin, na pequena localidade de Mata, no Rio Grande do Sul, onde esteve vários anos em exibição e foi já classificado como um cinodonte – grupo que há cerca de 220 a 230 milhões de anos deu origem aos mamíferos.

Agora voltou a ser motivo de atenção dos paleontólogos profissionais, que perceberam que, afinal, se tratava de uma nova espécie de cinodonte carnívoro: a Aleodon cromptoni. Em vez de cinodonte herbívoro, de espécie indeterminada, era um apreciador de carne

.Para se identificar uma nova espécie há que ter uma comparação e o artigo científico na revista Plos One mostra isso mesmo. São vários os maxilares analisados e descritos ao longo do trabalho. Agustín Martinelli, paleontólogo da Universidade Federal do Rio Grande e principal autor deste trabalho, diz ao PÚBLICO que, ao todo, foram analisados dez exemplares da nova espécie (com diferentes graus de preservação) e de crânios, mandíbulas e dentes de muitos outros cinodontes do período do Triásico Médio e do Superior da zona do Rio Grande do Sul.

Muitos deles eram da família Chiniquodontidae (répteis carnívoros que viveram durante o Triásico Superior e que já se assemelhavam a mamíferos) e tinham semelhanças morfológicas com o Chiniquodon (cinodonte carnívoro do Triásico Médio na América do Sul). Também foram comparados com uma espécie africana do género Aleodon, a Aleodon brachyrhamphus. “Revimos todo o material dos cinodontes e encontrámos mais exemplares deste estranho cinodonte, já conhecido no Triásico em África.”

E o caminho desta nova espécie foi mesmo pelos trilhos do Aleodon. Este é um género de cinodonte não mamífero, membro do grupo dos cinodontes carnívoros. “Contudo, a sua dentição adaptava-se aos omnívoros ou herbívoros”, avisa Agustín Martinelli. Estes são animais com um crânio robusto e caninos grandes, mas os molariformes (que têm forma de dente molar) são mais adaptados à vegetação. O género “Aleodon” foi descrito pela primeira vez em fósseis da Namíbia e da Tanzânia, de acordo com um comunicado da Plos One.

Ligação entre a América do Sul e África

Voltemos ao maxilar encontrado pelos irmãos Cargnin, foi o que deu um forte contributo para a identificação da nova espécie. “Foi o mais importante porque foi o primeiro exemplar reconhecido dentro da colecção paleontológica, que é consideravelmente diferente de outros cinodontes na América do Sul”, revela Agustín Martinelli. O fóssil é constituído pela parte direita do maxilar com um canino partido e os primeiros sete pós-caninos.

No final, os cientistas concluíram então que havia uma nova espécie dentro do género Aleodon e que se chamaria Aleodon cromptoni, em homenagem a Alfred Crompton, que descreveu pela primeira vez este género. Este fóssil faz também parte da família Chiniquodontidae. Quanto a diferenças dentro do mesmo género, o Aleodon cromptoni diferencia-se do Aleodon brachyrhamphus (que viveu na Tanzânia, por exemplo) por ter pós-caninos inferiores e superiores e o seu crânio é maior.

Como já temos as peças do puzzle, imaginemos agora todo o corpo do Aleodon cromptoni. No Triásico Superior, há cerca de 235 a 209 milhões de anos, um réptil já parecido com um mamífero vivia no lugar que agora conhecemos por Brasil. Tinha o tamanho de um puma e convivia com dinossauros, os arcossauros, e talvez já com pequenos mamíferos.

“Isto mostra que antes da origem dos mamíferos houve cinodontes extremamente diferentes, com adaptações ecológicas distintas. A nova espécie também revela a primeira ocorrência do Aleodon na América do Sul”, realça Agustín Martinelli. Além disso, como tem semelhanças com a espécie Aleodon brachyrhamphus de África, pode haver outras relações: “Pelo Triásico Médio e Superior, as semelhanças da fauna entre África e a América do Sul são bem visíveis. Encontrar um Aleodon na América do Sul acrescenta uma nova taxonomia partilhada em ambos os territórios. Isto ajuda-nos a correlacionar as rochas triásicas da Tanzânia e da Namíbia com o Brasil”, explica o paleontólogo.

E assim se “desenterrou” uma nova espécie graças às dentuças deste réptil que mais se parece com um mamífero. 

fonte: Público

Balsa, uma cidade romana à beira da ria Formosa reduzida a cacos


Estatueta de Vénus, datação : II d.C. , época romana, matéria. mármore branco 




Ungentário I d.C. - época romana, vidro


Lucerna do "tipo rã" - IV d.C. - época romana, cerâmica



Um holandês comprou, por 1,2 milhões de euros, uma quinta onde antes estavam os subúrbios da antiga cidade de Balsa. Arrasou tudo e a obra acabou embargada. O problema é que tarda a protecção - e um estudo aprofundado - da antiga urbe.

A história da antiga cidade romana, na Luz de Tavira - que no século II chegou a ter uma área quase o dobro da de Lisboa - contém os elementos para o guião de um filme que poderia chamar-se “Balsa furada”. Vivendas de milhões escondem, debaixo dos caboucos e dos relvados dos jardins, vestígios de uma civilização que chegou a cunhar moeda e construiu um sistema político-administrativo a evidenciar uma grande urbe, junto à ria Formosa. À época, Olisipo (Lisboa) ocupava 26 hectares, Balsa estendia-se por 47 hectares.

A casa de Martijn Kleijwegt, entretanto demolida, é o último caso conhecido sobre a forma como os poderes públicos ignoram (ou fingem não saber) aquilo que se passa em relação à destruição do património histórico. O holandês, de 62 anos, comprou dois prédios mistos, numa propriedade com mais de cinco hectares. Mandou vir uma máquina e arrasou as edificações. A propriedade, situada junto ao empreendimento turístico Pedras d´El Rei, fazia parte dos subúrbios da antiga Balsa, cidade portuária do litoral onde se escondem construções emblemáticas – tais como circo, teatro, piscinas e tanques de salga de peixe.

A defesa do património nos casos onde o turismo chegou para arrasar é ainda vista como um empecilho. O projecto de “remodelação e reabilitação” da casa de Kleijwegt foi aprovado pela câmara de Tavira, em 27 de Outubro de 2016, sem que fosse pedido o parecer à Direcção Regional da Cultura do Algarve (DRCA) nem exigido acompanhamento arqueológico, como seria expectável dada a evidência dos achados arqueológicos do local. A escritura da aquisição da propriedade foi feita num cartório de Olhão, no dia 11 de Agosto de 2016, tendo sido declarado 1,2 milhões pela compra. O presidente da Câmara, Jorge Botelho, questionado sobre o motivo pelo qual não foram consultadas as entidades ligadas ao património cultural, responde: “Não foi pedido parecer à Cultura porque a lei não obriga – o imóvel fica fora da Zona Especial de Protecção (ZEP)”, agora em fase de apreciação pública para que seja alargada.

De acordo com o Plano Director Municipal (PDM), o imóvel não poderia ser demolido, como veio a acontecer. “Balsa é uma mais-valia para a região e para o país”, diz Botelho, defendendo que o sítio deve tornar-se num “Centro Interpretativo, de grande relevância cultural”.

Mas uma parte dos testemunhos do passado já desapareceu por causa das intervenções agrícolas na Quinta Torre d’Aires e pela ocupação urbanística do solo. “Os cacos de cerâmica encontravam-se espalhados, à mão cheia pelo terreno”, conta a arqueóloga Cristina Garcia, que fez prospecções no terreno, produzindo em 1989 um relatório de 40 páginas com a proposta de classificação sítio. “O melhor e mais completo núcleo de cerâmica romana que existe no Museu Nacional de Arqueologia foi de Balsa para Lisboa”, acrescenta o investigador Luís Fraga da Silva. De acordo com o levantamento feito por este geógrafo, autor do livro Balsa, cidade perdida, a antiga urbe “guarda ainda numerosos vestígios da sua ocupação original”.


Jarro de vidro, datação I d.C. - época romana, matéria vidro

A cidadã francesa Bénédicte Travaux, residente em Tavira e membro da associação “Salvem Balsa”, duvida que haja uma verdadeira vontade por parte da autarquia de defender este património. “Vou às reuniões das assembleias municipais, questiono os atentados ao património, respondem sempre com um ar de quem não sabe de nada do que se passa à sua volta”, critica. Porém, reconhece que quando as denúncias ganham espaço na opinião pública, as coisas mudam de figura. Foi o que aconteceu com a oposição a um empreendimento agrícola na Quinta Torre d´Aires. A Direcção Regional da Cultura do Algarve (DRCA) pediu o embargo dos trabalhos para preservar o sítio arqueológico e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) determinou a paragem da exploração.

Na situação mais recente, relacionada com a propriedade de Kleijwegt, a câmara declarou o embargo das obras no dia 24 de Maio com base na informação da fiscalização municipal do dia 17 de Março. Porém, o promotor ainda não foi notificado do auto de contra-ordenação que alega violação do PDM. “O processo vai regressar à estaca zero em termos de licenciamento”, diz Jorge Botelho, enfatizando: “Estão proibidas novas construções na zona, só é autorizado a reabilitação do existente”, sublinha. A ordem da autarquia só aconteceu depois de várias queixas e do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR (SEPNA) se ter deslocado ao local, tendo lavrado no acto que não encontrou quaisquer vestígios arqueológicos.


Uma visão panorâmica de Balsa (séc. I-IV d.C.) de Christof Studer, Filomena Campos e Luís Fraga da Silva — Campo Arqueológico de Tavira

O que este cidadão holandês fez, comenta Luís Fraga da Silva, “não difere da atitude de outros promotores da zona – arrasaram tudo o que lhes pareceu poder vir a criar obstáculos”. O investigador, especialista em urbanismo romano, denuncia: “Nas feiras de velharias encontrei à venda baldes de moedas retiradas de Balsa”. O saque ao património, ao longo dos tempos, está ligado à história local e algumas peças chegaram a ser vendidas em antiquários de Portugal e de Espanha.

A antiga urbe romana existiu na faixa litoral do concelho de Tavira nos terrenos hoje designados por Torre d'Aires, Antas e Arroio. O actual empreendimento turístico Pedras d´El Rei, Luz, Rato e Pinheiro seriam os subúrbios. As velhas casas rurais, dispersas pelas quintas, tiveram o mesmo destino de outros sítios históricos da região – transformaram-se em mansões, com grandes jardins e piscinas. Uma das moradias de Arroio, que sobressai na paisagem, pertence a um ex-dirigente desportivo, tendo estado à venda por sete milhões de euros.
Piscina romana cortada

A causa próxima que fez virar, de novo, as atenções para a causa de Balsa, foi a instalação de uma grande superfície de estufas para a produção de framboesas, há cerca de dois anos, na Quinta Torre d´Aires. Mal se iniciaram os trabalhos na quinta, com uma área de 43 hectares, surgiu a contestação ao “mar de plástico” que estava a ser montado, mesmo junto à ria Formosa. Os responsáveis pelo empreendimento – proprietários da Surexport, uma das principais empresas espanholas na produção de frutos vermelhos - obtiveram autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), do qual depende o Parque Natural da Ria Formosa, mas não pediram o parecer à direcção à DRCA. Por isso, a obra foi embargada e as estruturas já foram desmontadas.

A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), entretanto, abriu um procedimento para que a Zona Especial de Protecção (ZEP) da cidade de Balsa fosse alargada para uma área quase quatro vezes superior à existente, passando de 53 para 233 hectares. Ao mesmo tempo, é pedida a revisão da classificação para Sítio de Interesse Público (SIP). O prazo para reclamações decorre até ao próximo dia 23.

“Uma demarcação cirúrgica para deixar de fora os interesses imobiliários”, comenta Luis Fraga da Silva, exemplificando: o aldeamento Pedras d'El Rei continua a passar ao lado da ZEP. Por seu lado, Manuel Maia, que integrou a equipa do Campo Arqueológico de Tavira, em 1977, lembra que, já nessa data, detectara perigos de destruição. Por isso propôs, sem sucesso, que a ZEP se estendesse por uma área superior àquela agora apresentada. “Defendi que devia ir da linha de caminho-de-ferro até ao mar”.

Durante a construção do empreendimento turístico Pedras d´El Rei, recorda Manuel Maia, viu “cortar uma piscina romana ao meio para abrir uma vala”. Ao ser testemunha do atentado, recorda o apelo que fez ao engenheiro da obra: “Ao menos preservem a piscina, é importante até para o empreendimento”. A resposta foi negativa: “Está previsto construir aqui um T0”. Os vestígios arqueológicos, presume-se, foram descartados juntamente com o entulho.
A cultura do betão

O Plano de Ordenamento Territorial do Algarve (Protal), aprovado em 19 de Dezembro de 2007, atribui a Balsa um valor de “prioridade estratégica para a região” mas a antiga cidade ainda não foi encarada nessa perspectiva. “As taxas de construção e o valor do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) dominam a política autárquica”, observa Luis Fraga da Silva, lembrando os milhões que os municípios arrecadam por via do IMI, das luxuosas casas à beira-mar. No empreendimento turístico Pedras d´El Rei, defende, “era fundamental fazer-se uma prospecção geofísica por todo aquele espaço, para tirar a limpo quais são as zonas a preservar, sem se mexer nos jardins – não é pôr lixo debaixo do tapete, como a administração pública faz”. No mesmo sentido, Manuel Maia desabafa: “Construiu-se à doida”.

O processo de Balsa é paradigmático da forma como a administração pública pode adiar por décadas assuntos urgentes. Vejamos, em traços largos, alguns meandros da burocracia. Em Agosto de 1977, a câmara de Tavira envia telegrama “urgente” para a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). “Queira ler bem no texto venda de propriedade agrícola Torre d’Aires. Repito Torre d’Aires”, acrescentando: “Consta ter grande valor arqueológico”. A propriedade estava a ser alvo de grande movimentação de terras para reconversão agrícola. De Lisboa, o arqueólogo da DGPC, Bandeira Ferreira, perante a falta de meios, sugere, na informação que redigiu, “agradecer à câmara e pedir-lhe que mantenha sob possível vigilância a propriedade em causa”. A seguir, os arqueólogos Maria Maia e Manuel Maia, do Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia (MNAE), fazem prospecções no terreno, tendo apresentado um mapa com uma proposta a fundamentar a área a classificar. Manuel Maia, questionado esta semana pelo PÚBLICO, recorda: “Sugeri que a propriedade fosse comprada pelo Estado por 6 mil contos (30 mil euros) - o mesmo valor que o novo dono, o senhor Barafusta, tinha dado pelo terreno”. A administração central pede a comparticipação do município, que informa só poder dispõe de 300 contos.


Bronze figurativo. Figura quadrúpede, fixado numa base / suporte. Representação muito sumaria e estilizada do animal, de pescoço alto, o focinho largo e as orelhas levantadas 

No Verão de 1978, um telegrama dos arqueólogos Manuel Maia e Maria Maia volta a alertar: “Bulldozer destrói sistematicamente cidade romana Torre d´Aires. Aguardamos que sejam tomadas medidas urgentes”. O assunto chega ao Governador Civil de Faro: “Proprietário aguarda resolução do assunto”. Entra então em campo Cristina Garcia, que fez prospecções no terreno, a pedido do Parque Natural da Ria Formosa, na no final da década de 80. “Mesmo à superfície encontravam-se vestígios à mão cheia”, recorda.


A história de Balsa é revelada, pela primeira vez, por Estácio da Veiga na segunda metade do século XIX, que dá conta de vestígios arqueológicos que se encontravam dispersos por hectares e hectares de vinhas, pomares, hortas e casario nas margens da ria Formosa.

Nas colecções do Museu Nacional de Arqueologia estão mais de 8 mil registos de peças que foram do Algarve para Lisboa. Os vestígios de necrópoles, uma parte habitacional, edifícios com mosaicos, tanques de salga de peixe, cerâmica e moedas ainda por lá subsistem, mas em larga medida a cidade continua por descobrir.

O relatório das últimas intervenções, levadas a cabo pela empresa de arqueologia Archaeofactory, contratada pela Surexport por exigência da DRCA, ainda não é conhecido. No entanto, um dos coordenadores científicos do projecto, Vítor Dias, em declarações ao PÚBLICO, advertiu: “O que se impõe é que se pense no sítio como tendo grande potencial arqueológico”.

No livro Balsa, cidade perdida, publicado há dez anos, Luís Fraga da Silva escreveu que a urbe poderia ser a “jóia da coroa” do legado romano na região. Autor termina com um lamento, depois de ilustrar o apogeu e declínio desta urbe: “É, assim, com tristeza, que vemos ser ignorado e desperdiçado o potencial científico e cultural deste raro tesouro patrimonial, em perigo iminente de uma liquidação definitiva”.

fonte: Público

Quem levou água para Marte: extraterrestres ou natureza?


Nos últimos anos, sondas da NASA têm encontrado muitos vestígios de água em Marte. Mas até hoje há apenas teorias sobre a real razão do aparecimento de água na superfície de Marte.

Por exemplo, segundo o artigo publicado na revista Geophysical Research Letters, os traços de água em Marte surgiram devido ao degelo dos glaciares nas bordas das grandes crateras, que foram formadas após queda de meteoritos.

"Se esses vales tivessem surgidos através da saída de água subterrânea para a superfície de Marte, traços de água seriam encontrados dentro das crateras, mas não existem dentro. Ao considerar os lugares onde havia reservas de água naquele tempo e o volume de água em estado líquido, que deveria surgir após queda de rochas quentes, acreditamos que os vales foram formados desta forma", revela David Weiss, pesquisador da Universidade Brown (EUA).

Nos últimos tempos, cientistas encontraram muitas evidências que há muito tempo havia rios, lagos e mesmo oceanos em Marte e que seus tamanhos se igualavam ao do nosso Oceano Árctico.

Ao mesmo tempo, alguns planetólogos acreditam que Marte era muito frio para contar com oceanos permanentes, podendo haver água em estado líquido apenas durante erupções vulcânicas ou quando caiam meteoritos.


© NASA. JPL-CALTECH/UNIV. OF ARIZONA Cratera em Marte

Recentemente, a última teoria foi posta em dúvida — analisando imagens de crateras marcianas, cientistas descobriram que algumas delas têm traços de fluxos de água, que teriam existido na superfície do planeta há dezenas e centenas de milhões de anos.

Mas de onde surgiu essa água na superfície de Marte? Ao analisar a cratera Lyot, que surgiu devido à queda de um asteróide e que actualmente tem 225 quilómetros de comprimento e 7 quilómetros de profundidade, os cientistas descobriram que somente as bordas de um lado da cratera são cobertas com traços, contradizendo a teoria sobre surgimento subterrâneo de água.

Segundo estimativas de geólogos, a energia libertada no momento da colisão do asteróide com a superfície de Marte era bastante para que as reservas de gelo, que cobriam a superfície do planeta, tornassem-se água em estado líquido, sendo que o volume dela era considerável.

O mesmo processo poderia ter acontecido em várias regiões do Planeta Vermelho, o que aumenta as esperanças dos planetólogos, que acreditam que Marte nem sempre foi tão frio.

fonte: Sputnik News