sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fim do mundo tem nova data marcada: 23 de dezembro

Fim do mundo tem nova data marcada: 23 de dezembro

Tortuguero Monumento 6

Tsunamis, atividades vulcânicas e muitos outros cataclismos. Será assim o fim do mundo para aqueles que acreditam em teorias apocalíticas. Desta feita, a previsão foi feita pela civilização maia há milhares de anos, e aponta o dia 23 de dezembro de 2012 como o dia do juízo final.

Se há quem já ande para aí preocupado, a verdade é que também já há quem fature com a teoria. Que o digam os hoteleiros mexicanos, cujas unidades turísticas próximas dos legados maias já registam taxas de ocupação de 90% para aquela data.

A teoria do fim do mundo em 23 de dezembro de 2012 não é propriamente uma novidade. Já é conhecida há muito e, em 2009, Hollywood fez o favor de lançar um filme sobre o assunto, intitulado justamente "2012". O "pânico" contido causado então aos milhões de espectadores que acorreram às salas de cinema refletiu-se na quantidade de consultas registadas pelo Google. As pessoas queriam, de facto, saber qual o fundo "científico" que estaria na origem da teoria aterradora.

Na realidade, o que Hollywood fez foi converter para filme uma suposta profecia da civilização maia que, segundo alguns, "agendava" o fim do mundo para 23 de dezembro de 2012. Ou seja, daqui a um mês.

E, pelos vistos, não falta quem queira vivenciar o fim do mundo em grande. Nada melhor do que acabar os dias nas magníficas praias mexicanas, onde os maias provavelmente também terão ido a banhos. Os empresários hoteleiros da região já esfregam as mãos de contentes ao verem as taxas de ocupação cada vez mais próximas da lotação completa, tantos são aqueles que querem morrer confortavelmente instalados na mesma região onde os maias viveram.

Origem da profecia maia

A profecia do fim do mundo tem como origem uma inscrição gravada pelos maias numa pedra - conhecida como Monumento 6 de El Tortuguero - no ano de 669, localizada no sítio arqueológico de Macuspana, Tabasco. A pedra encontra-se fragmentada em vários pedaços, alguns dos quais estão perdidos.

Ao longo dos tempos, muitos arqueólogos procederam à análise das inscrições e concluíram que, na realidade, os maias não previram o fim do mundo, mas uma renovação do universo findo um ciclo iniciado a 13 de agosto de 3114 antes de Cristo. Segundo eles, a civilização maia media o tempo de uma forma cíclica.

Os investigadores alertam ainda para o facto de estar a ser dado muito relevo a uma inscrição numa das mais de cinco mil pedras gravadas pelos maias. Em algumas, segundo realçaram, há visões catastróficas que se estendem até ao ano 7000.

A civilização maia esteve presente, no México, nos estados de Tabasco, Chiapas, Yucatán, Campeche e Quintana Roo, onde se encontram muitos vestígios arqueológicos.

Mexicanos calmos

Pelo que parece, os mexicanos estão calmos e brincam com a profecia do fim do mundo. Em março passado, por exemplo, os fortes sismos registados na região foram "sentidos" como preparações para o fim do mundo de dezembro próximo.

O próprio presidente mexicano, Felipe Calderón, durante a cimeira ibero-americana realizada em Cádiz, brincou com a situação, dizendo que o seu mandato acaba a 1 de dezembro, "não coincidindo com o fim do mundo previsto pela profecia maia".

Profecias não têm faltado

Ao longo dos anos, não têm faltado "alertas" para um hipotético fim do mundo. Como o mundo ainda gira, é fácil concluir que tudo não passou de boatos. Na última viragem do século, não faltaram "visionários" a prever o fim do mundo. Mais tarde, alguém se lembrou de inventar que algo cairia do céu em 27 de agosto de 2010 e provocaria, assim, o fim do mundo.

Nos EUA, os evangélicos americanos previram o fim do mundo para 21 de maio de 2011. Como nada tivesse acontecido, adiaram a data para 21 de outubro do mesmo ano. Mesmo assim, nada se passou.

Recuando no tempo, Nostradamus previu, em 1555, o fim do mundo para uma data algures entre julho e agosto de 1999. Também do céu viria algo de terrível, que poria fim à vida na Terra.

Para os judeus, o fim dos tempos ainda está para vir, mas tem data marcada: 30 de setembro de 2240.


A profecia Maia


Experimente procurar por "2012 fim do mundo" numa barra de pesquisa da internet. O resultado será um número enorme de páginas. 

O assunto, que poucos anos atrás era praticamente desconhecido, virou febre. Segundo o Google, por exemplo, antes de 2008, poucas pessoas faziam a busca "2012 mayans" (Maias, em inglês). Em 2009, as buscas disparam e, em novembro daquele ano, eram seis vezes maiores do que em qualquer mês dos anos anteriores.

Mas essa "profecia" de que tudo acabará realmente existiu? Quais são os argumentos a favor do fim do mundo em 21 de dezembro de 2012? E os contra? Veja a seguir um pouco da discussão sobre essa história.


A profecia maia para 2012


Foi a chamada inscrição de Tortuguero que começou toda a confusão. Os fragmentos do texto escrito pelos maias indicavam que no fim da atual era algo relacionado ao deus Bolon Yokte ocorreria. 

O texto incompleto levou a diversas interpretações, principalmente por causa da estranha divindade citada, que é ligada tanto à criação quanto à destruição.

Então vieram as partes apocalípticas: falou-se em alinhamento do Sol com o centro da Via Láctea (que ocorreria a cada 26 mil anos), inversão dos polos magnéticos, que o planeta X (ou Nibiru) estaria em rota de colisão com a Terra, que ocorreriam tempestades solares...

Porém, a fonte dessas ideias está envolvida num mistério maior do que o real significado da "profecia" Maia. Para o astrónomo David Morrison, do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, "pessoas estão sendo manipuladas e submetidas a medos com o objetivo único de propiciar lucros a terceiros". 


Hollywood faz um filme...


A disparada nas buscas do Google em 2009 não ocorreu por acaso. Nesse ano, as interpretações sem sentido da profecia Maia que dão lucro para aproveitadores também foram bem exploradas pelo cinema com o lançamento do filme 2012.

Na película, uma onda gigante foi representada de maneira tão exagerada que encobria montanhas. Além disso, caíam asteroides por todos os lados e continentes literalmente se desmanchavam.

Com que base científica foi criado todo esse apocalipse visual? Nenhuma. Mesmo assim, preocupou muitos leigos. "Dois adolescentes estavam pensando em se matar porque não queriam estar por aqui quando o mundo acabasse. 

E duas mulheres disseram que estavam pensando em matar seus filhos e cometerem suicídio para não terem de sofrer com o fim do mundo", conta David Morrison, cientista sénior do Instituto de Astrobiologia da Nasa, comentando e-mails recebidos pela agência.


...e irrita muito a Nasa


Segundo o porta-voz da Nasa Dwayne Brown, a agência espacial americana não comenta filmes. Mas quando o assunto é ciência...

"Consideramos que seria prudente oferecer uma base de recursos", diz.

O conteúdo do filme 2012 levou a diversas declarações da agência de que o mundo não acabaria tão cedo. Astrónomos (ligados à Nasa ou não), após verem suas caixas de e-mail lotadas de perguntas sobre a profecia Maia, falaram que aquilo não passava de "sandice" e que a tendência apocalíptica tinha passado dos limites.

Dois anos depois, a raiva da Nasa não havia passado. A agência decidiu criar uma lista - os filmes mais absurdos da história. A lista têm sucessos de bilheteria, como Armageddon, e é encabeçada, obviamente, por 2012.

E. C. Krupp, diretor do Observatório Griffith (não ligado diretamente à Nasa), em Los Angeles, chegou a dizer que o filme é baseado em "loucura pseudocientífica, ignorância em Astronomia e um alto nível de paranoia". 

"Os produtores aproveitaram-se de uma preocupação popular sobre o então chamado fim do mundo", diz Donald Yeoamans, cientista da agência espacial americana.


E as outras interpretações?


Além de atacaram o filme, cientistas resolveram desmentir as demais crendices sobre o fim do mundo de acordo com o calendário Maia. 

Sobre "alinhamento galáctico", por exemplo, David Morrison, da Nasa, afirma que em todos os solstícios (e 21 de dezembro é um solstício) o Sol parece passar no ponto médio da Via Láctea. 

Ou seja, o tal alinhamento que supostamente só acontece a cada 26 mil anos ocorre, de facto, todos os anos - e duas vezes! E não costuma gerar nenhum facto apocalíptico.

Além disso, David Stuart, especialista em povo Maia da Universidade do Texas e um dos principais críticos da interpretação apocalíptica da profecia, diz que "nenhum texto ou arte dos antigos Maias faz referência a qualquer coisa do tipo".

Planeta X em rota de colisão, erupções solares e outras previsões ligadas ao mito Maia também são desmentidas por especialistas.


Afinal de contas, porquê 2012?


Os Maias gostavam muito de criar ciclos de tempo. E isso não se resume apenas a dias, meses, anos. Estamos a falar de milénios - e mais. Um dos maiores ciclos dos Maias era o Baktun. Cada um desses tinha aproximadamente 400 anos.

E 13 Baktuns correspondiam a uma Grande Contagem, ou 5125 anos. A última Grande Contagem começou em 11 de agosto de 3114 a.C.. Sabe quando vai acabar? Pois é: 2012, por volta de dezembro - no dia 21, segundo boa parte dos especialistas em Maias, ou no dia 23, segundo outros.

De acordo com Carlos Pallán, diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maya (Ajimaya) do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México, as primeiras interpretações apocalípticas da inscrição de Tortuguero ocorreram nos anos 1970 em textos esotéricos.

Daí você junta uma profecia de difícil interpretação (até porque falta parte do texto), uma figura divina controversa (Bolon Yokte, o deus da criação e da destruição) e a internet e o que temos é o fim do mundo (ou pelo menos muita gente querendo convencer você de que ele vai ocorrer).

Para os cientistas que pesquisam a civilização Maia, 2012 é apenas o fim de um ciclo muito longo do calendário Maia e o começo de outro. Não há nenhum texto a dizer "o mundo acaba no fim da Grande Contagem".

Além disso, essa contagem é tão complicada que um cientista diz que o calendário Maia nem acaba em 2012, mas em algumas décadas.

Parecia que o assunto estava morto e enterrado. Mas se os zumbis estão na moda, por que a profecia de 2012 não pode ressurgir dos mortos também?


Uma nova referência


Em dezembro de 2011, quando organizava um conferência sobre a cultura Maia, o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México comentou em seu site que existiam apenas duas referências ao suposto fim do mundo em 2012 entre os mais de mil textos Maias.

O problema é que, até agora, apenas uma referência era conhecida. A notícia foi destaque na imprensa internacional: sites de jornais como o Washington Post, o britânico The Telegraph, a rádio NPR (EUA), a TV Fox News e a agência AP, entre muitos outros, noticiaram que o instituto anunciava a existência de uma segunda referência ao 21 de dezembro de 2012.

Não se sabe muito do segundo texto. O México o deixa guardado e não se sabe de muitos cientistas que tiveram acesso a ele. 

David Stuart, especialista em cultura Maia da Universidade do Texas e um dos principais críticos da interpretação apocalíptica dessas profecias, diz que esse texto é menos apocalíptico ainda. 

Nem sequer há verbo no futuro, o que faz o cientista especular que seja apenas um registo de um facto importante do passado, sem relação com 2012.


A última interpretação


No evento da INAH, no México, os investigadores Sven Gronemeyer e Barbara Macleod, da Universidade La Trobe (Austrália), divulgaram uma nova interpretação sobre a profecia. O texto, segundo eles, diz que Bahlam Ajaw (612-679 d.C.), antigo governante de Tortuguero, será o anfitrião do retorno de um deus, exatamente Bolon Yokte.

"A aritmética do calendário Maia demonstra que o término do 13º Baktun representa simplesmente o fim de um período e a transição para um ciclo novo, embora essa data seja carregada de um valor simbólico, como a reflexão sobre o dia da criação", comentou Gronemeyer.

Segundo o epigrafista mexicano Erik Velásquez, para os escribas maias, a história como uma narração de eventos humanos foi uma preocupação secundária. 

Eles se centravam nos rituais de qualquer tipo, por isso, "as inscrições mostram relações complexas entre o tempo, as esculturas e os prédios". 

Mas por que era tão difícil interpretar esses textos? "Na antiga concepção Maia, o tempo se construiu tal como as esculturas e os prédios que as continham, os períodos tinham consciência, vontade, personalidade e se comportavam como humanos", acrescenta Velásquez.

Outra interpretação, do arqueólogo José Romero, especialista no sítio de Tortuguero - onde a inscrição foi achada -, é bem diferente: para ele, a inscrição é uma biografia de um governante local. Nenhuma interpretação recente fala em "fim do mundo". Parece o fim da polémica. Pelo menos por enquanto.

fonte: Terra

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cientistas portugueses mostram interior de uma antiga casa romana à luz de há 2000 anos


Reconstituição virtual de um canto da Sala das Caçadas iluminado por lucernas


Reconstituição virtual do mesmo canto da Sala das Caçadas iluminado por luz eléctrica


Aspecto real do mesmo canto da Sala das Caçadas, hoje em ruínas



Reconstituição virtual da Sala das Caçadas, vista da entrada e iluminada por candelabros


Reconstituição virtual da Sala das Caçadas, vista da entrada à luz eléctrica



Aspecto real das ruínas da Sala das Caçadas vista da entrada



Reconstituição virtual da Sala das Caçadas, vista de cima e iluminada por candelabros


Utilizando uma tecnologia informática que capta a luz ambiente de uma forma semelhante ao sistema visual humano, foi possível ver, pela primeira vez, um interior romano com os olhos de outrora.

Século I da nossa era. Os donos de uma sumptuosa vila romana da antiga cidade de Conímbriga recebem convidados e fazem as honras da casa. Com evidente orgulho, mostram os magníficos frescos e mosaicos que cobrem respectivamente as paredes e o chão de várias divisões. A fraca luz emitida pelas lâmpadas de azeite faz ressaltar os tons avermelhados das pinturas e dos motivos geométricos do chão. A visão é arrebatadora, mas ao mesmo tempo reconfortante, cálida... Lá fora, no jardim interior da moradia, o barulho da água a jorrar dos repuxos contribui para acentuar o prazer dos olhos e essa sensação de bem-estar.

A descrição poderá parecer ficcional, mas não é. Graças ao trabalho liderado por Alexandrino Gonçalves, do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Politécnico de Leiria, e colegas – cujos resultados deverão ser publicados para o ano noJournal of Archaeological Science – foi possível, pela primeira vez, fazer uma simulação virtual em 3D de um interior doméstico romano que, do ponto de vista visual, corresponde com uma fidelidade sem precedentes ao que viam as pessoas que lá entrassem há 2000 anos.

Para reconstituir os edifícios da antiguidade com a ajuda de computadores não basta simular a sua decoração tal como ela era quando estavam em uso. De facto, existe hoje um crescente interesse dos arqueólogos pelas condições em que esses ambientes eram percebidos pelos seus habitantes – em particular devido aos métodos de iluminação –, porque isso pode ter um papel importante na interpretação dos achados arqueológicos.

“A forma como visualizamos os frescos e os mosaicos pode dar azo a diferentes interpretações”, disse ao PÚBLICO Alexandrino Gonçalves. E citou um outro exemplo – um projecto de Alan Chalmers, da Universidade de Warwick, Reino Unido, também co-autor do estudo agora publicado –, no qual foi comparado o aspecto visual de hieróglifos egípcios iluminados com lâmpadas onde ardia óleo de sésamo com uma iluminação com luz natural. Os resultados sugerem que os antigos egípcios viam tons de verde onde nós vemos hoje tons de azul. “Isso poderá ter implicações religiosas e permitir várias interpretações”, faz notar Alexandrino Gonçalves. 

Voltando a Conímbriga, os cientistas focaram-se na Sala das Caçadas (assim designada devido ao tema dos mosaicos do chão) da Casa dos Repuxos, uma mansão cuja construção data do início do século I da era cristã.

Como explicam no seu artigo, que já se encontra publicado online, a única forma de recriar esse ambiente foi através de cenários virtuais, uma vez que a residência romana em questão está hoje em ruínas, o que torna impossível mergulhá-la na sua iluminação original. Isto, explica Alexandrino Gonçalves, porque as casas romanas não tinham janelas – “tinham pavor que alguém lhes entrasse pela casa” – e portanto o seu interior era sempre apreendido com luz artificial.

Mas antes de passarem à fase da reprodução por computador da “luz antiga” da Sala das Caçadas, os cientistas tiveram de simular, com objectos reais, a iluminação da época luso-romana, de forma a medir as suas características físicas e poder transferir esses dados para o software de simulação.

Lâmpadas de azeite

Há dois milénios, as grandes casas romanas eram iluminadas com lâmpadas de azeite (“as tochas causavam muitos incêndios”, frisa Alexandrino Gonçalves). Estas lucernas eram pousadas no chão ou no topo de altos candelabros – e colocadas em “posições estratégicas” para realçar a decoração vertical e horizontal das salas.

Muitas dessas lâmpadas foram encontradas nas escavações de Conímbriga e a primeira etapa do estudo consistiu portanto em reconstituí-las fielmente partindo de várias réplicas, de barro como as originais, cedidas à equipa pelo Museu Monográfico de Conímbriga.

Depois veio a questão dos outros componentes: o azeite, os pavios. Ora, o azeite não era igual ao que consumimos hoje – não tinha aditivos – e os pavios eram de linho ou algodão. A tarefa não foi fácil, conta Alexandrino Gonçalves: felizmente, foi possível obter amostras de azeite produzido com métodos tradicionais, “à antiga, de uma maneira que hoje não seria autorizada pela ASAE por razões de higiene”. E mais: como os romanos adicionavam sal ao azeite, os cientistas também tiveram o cuidado de escolher uma fonte de sal puro, que veio neste caso das minas de sal da Figueira da Foz. (Este trabalho minucioso é descrito pelos cientistas no seu artigo, com todos os pormenores.)

As lâmpadas foram a seguir colocadas numa sala de dimensões idênticas à da Sala das Caçadas, às escuras e perfeitamente fechada para evitar que correntes de ar pudessem perturbar as chamas das lucernas. E, com a ajuda de um espectro-radiómetro, os cientistas mediram a reflexão da luz das lâmpadas nas superfícies da sala – não só com “luz antiga” (azeite “antigo” e sal), mas também com azeite “antigo” sem sal e com azeite “moderno”. Conclusão: embora o azeite mais próximo do utilizado pelos romanos produzisse uma luminosidade 50% menos intensa do que o azeite mais semelhante ao do comércio actual, a adição de sal mais do que compensava esta perda.

Assim, antes de mais, o estudo veio explicar o porquê de algo que até aqui os arqueólogos apenas sabiam através da literatura. Virgílio Correia, Director do Museu Monográfico de Conímbriga, que acompanhou de perto o estudo, explica-nos que, efectivamente, o célebre naturalista romano Plínio refere nos seus escritos “que a adição de sal ao azeite aumenta as suas propriedades químicas”. A análise espectro-radiométrica realizada por estes cientistas veio agora comprová-lo. “Comprovámos experimentalmente que, desta forma, o azeite durava mais tempo e emitia 60% mais luz”, diz por seu lado Alexandrino Gonçalves.

Imagens só vistas

A partir dos dados de luminosidade, os cientistas reconstituíram virtualmente o cenário da Sala das Caçadas gerando imagens ditas de alto alcance dinâmico (HDR ou high dynamic range). A sensibilidade desta tecnologia é de tal ordem que permite igualar a extrema sensibilidade do nosso sistema visual em condições de fraca iluminação. “É a primeira vez que se faz uma reconstituição virtual deste tipo com HDR”, diz-nos Alexandrino Gonçalves.

A última etapa do estudo levaria o investigador à Universidade de Warwick, ao laboratório de Alan Chalmers, um dos poucos locais no mundo que dispõe de ecrãs HDR, capazes de apresentar as imagens HDR em todo o seu esplendor. Ali, ao longo de várias semanas, os cientistas mostraram as imagens da Sala das Caçadas a umas dezenas de voluntários – em “luz antiga”, mas também em luz eléctrica – e pediram-lhes para responder a diversas perguntas acerca da sua percepção do cenário virtual que estavam a ver. Os tons de cor dos mosaicos, nomeadamente, revelaram ser percebidos de forma diferente em cada um destes dois modos de iluminação: vermelhos cálidos no primeiro; acastanhados no segundo. A luz antiga criava, segundo referiram quase unanimemente os voluntários, uma sensação reconfortante, cálida, relaxante que contrastava fortemente com a atmosfera fria e as cores sem relevo vistas à luz de lâmpadas eléctricas.

A equipa também realizou experiências em que, graças a um sistema de tracking, seguiram o rasto do olhar dos participantes à medida que estes observavam as imagens. E aqui constataram que, ao passo que “com luz romana, o olhar se fixava mais nos frescos e nos mosaicos, com luz eléctrica a dispersão do olhar era maior”, frisa Alexandrino Gonçalves. “Isto vai no sentido do que se pensava”, acrescenta: “Os romanos gostavam de impressionar as visitas com os seus mosaicos e frescos e colocavam as lucernas nos sítios estratégicos para os tornarem mais espectaculares.”

Para além do interesse arqueológico de uma visualização historicamente fidedigna dos ambientes do passado, existe também “uma vertente de comunicação com o público”, diz-nos Virgílio Correia, “porque muitas vezes as reconstituições dos arqueólogos são dificilmente entendíveis pelo público em geral”.

Mas terá sido mesmo assim que os comensais de outrora viam o seu ambiente doméstico? “Nunca conheceremos exactamente o aspecto do passado”, concluem os cientistas no seu artigo. “No entanto, para conseguirmos uma interpretação mais fiel dos cenários que outrora foram habitados pelos nossos antepassados, temos de os ‘iluminar’, no meio das sombras, como eles o foram no seu tempo.”

"Os romanos gostavam de impressionar as visitas com os seus mosaicos e frescos e colocavam as lucernas nos sítios estratégicos para os tornarem mais espectaculares." Alexandrino Gonçalves

fonte: Público

Ilha no Pacífico que consta nos mapas não existe


Fotografia © DR / Google Maps

Cientistas australianos afirmam que descobriram que afinal uma ilha no Pacífico Sul que aparece em diversos mapas em todo o mundo há mais de uma década não existe, noticia hoje o jornal Sidney Morning Herald.

A suposta ilha, que deveria localizar-se entre a Austrália e a Nova Caledónia, aparece inclusive no programa cartográfico do Google Earth, como nome de Sandy, indica o diário.

O erro foi descoberto quando uma equipa de cientistas, liderada pela geóloga Maria Seton, se deu conta da ausência da ilha enquanto navegavam pela zona, onde esta se deveria 'erguer'.

"Começámos a suspeitar quando vimos que as cartas de navegação utilizadas pelo barco mostravam uma profundidade de 1.400 metros numa área, em que os nossos mapas e o Google Earth apontavam para a existência de uma ilha de grande dimensão", explicou a cientista, em declarações citadas pela agência noticiosa espanhola EFE.

"De alguma forma, este erro foi propagado ao mundo a partir de uma base de dados que se utiliza muito em mapas", indicou a geóloga da Universidade de Sidney.

A ilha inexistente aparece regularmente em publicações científicas desde o ano 2000 e até os mapas meteorológicos a mencionam.

No entanto, a ilha não aparece nos documentos do Governo francês, o qual teria a jurisdição da ilha, nem nas cartas de navegação, elaboradas a partir de medições de profundidade.

A equipa de cientistas esteve 25 dias a bordo do barco Southern Surveyor, no âmbito de uma expedição científica para estudar o leste do Mar de Coral.


Robô 'Curiosity' faz descoberta "histórica"

Robô 'Curiosity' faz descoberta "histórica"


O robô 'Curiosity' da NASA, que se encontra numa missão em Marte para determinar de houve alguma vez vida no planeta vermelho, fez uma descoberta que, segundo o investigador principal da missão, "mudará os livros da História".

John Grotzinger, investigador principal da missão do 'Curiosity', anunciou numa entrevista à rádio americana 'NPR' que os instrumentos do robô descobriram algo que "mudará os livros da história" acrescentando que os dados recolhidos "prometem realmente muito", cita o site do jornal espanhol 'ABC'.

A descoberta foi feita através do laboratório químico a bordo do robô, o "Sample Analysis at Mars" (SAM), que analisa amostras de solo marciano. Grotzinger assegurou que a NASA irá realizar um dos maiores anúncios da sua história. Segundo declarações do próprio ao site sobre astronomia 'Universe Today', citado pelo 'ABC', será realizada "uma conferência no próximo dia 3 de dezembro para discutir os nossos resultados".

Por enquanto os cientistas estão a realizar um conjunto de testes e análises para determinar a validade da descoberta, pois querem estar completamente seguros antes de lançar o anúncio.

"A equipa científica está a analisar os dados recolhidos pelo SAM mas ainda não está pronta para discutir o assunto", afirmou Grotzinger ao 'Universe Today'.

Caso se confirme que de facto houve vida em Marte, este será o anúncio mais esperado de todo o universo cientifico, informa o 'ABC'.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ditador jugoslavo Tito suspeito da morte de Stalin


Marechal Josip Broz Tito

Foi publicada na Eslovénia uma nova biografia de Josip Broz Tito, cujo autor, o historiador Joze Pirjevec, não exclui que a hemorragia cerebral que matou Josef Stalin tenha sido provocada por um assassino pago enviado pelo ditador jugoslavo.

Esta versão pode ser comprovada por materiais de arquivo, dos quais consta que entre os papéis de Stalin estava uma carta de Tito. 

Nela, dizia-se que Tito, contra cuja vida foram cometidos 22 atentados, inclusive mediante “um guarda-jóias que quando se abria expelia um gás paralizante”, não precisaria de tantas tentativas para matar Stalin, bastar-lhe-ia uma só”.

Além disto, no livro descrevem-se os pormenores dos últimos dias da vida de Stalin, muito suspeitos, na opinião do historiador, que também podem confirmar a versão sobre o seu assassinato.


Abrigo da criança do Lapedo prestes a ser monumento nacional

O esqueleto da criança do Lapedo ainda na sua sepultura, durante a escavação

O esqueleto da criança do Lapedo ainda na sua sepultura, durante a escavação (David Clifford/Arquivo)

Há 24.500 anos, uma criança foi sepultada cumprindo um ritual cuidadoso, no Vale do Lapedo, perto de Leiria. Foi enterrada numa sepultura purificada pelo fogo e embrulharam-na numa mortalha, sem que faltassem oferendas, nem ocre vermelho. Em Dezembro de 1998, os trabalhos de uma retroescavadora que abria uma estrada no vale puseram os ossos a descoberto, que hoje são conhecidos mundialmente, ou não fosse o único esqueleto quase completo de uma criança do Paleolítico Superior – e agora é o abrigo onde estava a sepultura que está prestes a ser classificado como monumento nacional.

O anúncio da classificação está no Diário da República de 20 de Novembro e, depois do processo de consulta pública durante 30 dias, será publicado o diploma com a classificação efectiva. A categoria de monumento nacional é a mais alta na classificação de bens culturais, sublinha, em comunicado, a Câmara Municipal de Leiria, que há 12 anos fez o primeiro pedido nesse sentido.

Elaborado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o processo de classificação cria duas áreas de protecção. No Abrigo do Lagar Velho, o lugar resguardado onde a criança foi sepultada, não será possível construir nada, enquanto a área contígua do vale, considerada com grande potencial arqueológico, será uma zona especial de protecção (ZEP).

“Face à sensibilidade arqueológica do sítio a classificar, toda a área é zona non aedificandi,onde apenas serão autorizados trabalhos de investigação”, lê-se no Diário da República. “Relativamente à ZEP, a qual corresponde ao Vale do Lapedo (...), todas as intervenções com impacto no subsolo deverão ter diagnóstico arqueológico prévio (sondagem ou escavação em área)”, acrescenta-se.

Um esqueleto no centro do debate

A criança do Lapedo tinha quatro anos quando morreu. Era da nossa espécie, o Homo sapiens, ou homem moderno. Pouco depois da descoberta do seu esqueleto, esteve no centro de um debate aceso sobre evolução humana. Há 24.500, os Neandertais já se tinham extinguido, tendo tido como último reduto a Península Ibérica, e a grande questão, ainda por resolver em 1998, era se eles e nós nos tínhamos cruzado do ponto de vista reprodutivo. Fizemos amor e tivemos filhos, ou fizemos a guerra?

A equipa que estudou a criança do Lapedo defendia que o esqueleto apresentava alguns traços morfológicos dessa mistura no passado entre Neandertais e humanos modernos, o que suscitou muita divergência de pontos de vista. Desde então, os avanços na tecnologia de sequenciação do genoma encarregaram-se de ajudar a esclarecer o debate: sim, temos um bocadinho de Neandertal dentro de nós. Tanto o nosso genoma como o dos Neandertais foi entretanto sequenciado.

A memória dos tempos em que aquela criança viveu e morreu encontra-se preservada, desde 2008, no Centro de Interpretação do Abrigo do lagar Velho (pode ser visitado por marcação prévia). O clima começou a arrefecer em Portugal há 35 mil anos e o pico máximo de frio da última glaciação deu-se há 18 mil anos. A frente polar passava ao largo da Estremadura, pelo que o vale do Lapedo servia à criança e a grupos de humanos modernos como refúgio para o frio.

fonte: Público

Escolas americanas ensinam que monstro do Loch Ness é real


Professores de escolas particulares da Louisiana (EUA) estão ensinando a alunos que a história do monstro do Loch Ness (Escócia) é real. O objetivo é combater a teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin.

De acordo com a cartilha do movimento Accelerated Christian Education (Educação Cristã Acelerada), o monstro, segundo ela, um dinossauro, viveu na mesma época que os homens, contrariando um dos preceitos da teoria de Darwin.

Tony Drummond, guia de Loch Ness, classificou o currículo como "propaganda ridícula", em entrevista ao "Scottish Sun".

Um investigador de direitos político-religiosos americanos disse ao "Scotsman" que um dos textos da cartilha afirma que "dinossauros eram dragões que expeliam fogo".