É mais pequena do que um vírus e cem vezes menor do que as actuais sondas celulares
É um pouco como ficção científica tornada realidade. Um grupo de investigadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveu um transístor diminuto, mais pequeno do que um vírus, que pode ser introduzido dentro de uma célula, sem a molestar, para escutar e registar o que se passa lá dentro. A descrição do nanoscale field-effect transístor ou nanoFET, como lhe chamaram os seus inventores, e a antecipação que ele promete em novos estudos sobre o interior das células são publicadas hoje num artigo, na revista Science.
Em forma de V, com braços muito, muito delgados, o nanoFET é uma pequena grande revolução na electrónica para os estudos biomoleculares e abre a porta a um admirável mundo novo, em que vai tornar-se possível ouvir a célula a funcionar, ou seguir em tempo real os sinais eléctricos dentro de um neurónio, ou ainda observar em directo a produção de ácidos nucleicos ou de outras moléculas.
"O nanoFET, e a forma como o usamos, representa a primeira abordagem totalmente nova aos estudos intracelulares em várias décadas", afirmou Charles Lieber, o coordenador da equipa que desenvolveu o mecanismo, citado pelo serviço de notícias de ciência Eurekalert.
As células humanas não são todas do mesmo tamanho. As mais pequenas são as células nervosas, que medem 10 mícrons - um mícron é um milhão de vezes mais pequeno do que o metro -, as células cardíacas são as maiores, com 50 mícrons. Para se ter uma ideia, as actuais sondas para medições celulares medem cinco mícrons e a nanoFET é cem vezes menor do que esta. É outra dimensão.

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