quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cinco dias de incêndios terão consumido mais de metade da Mata do Cabril


A vegetação servia de abrigo a um núcleo de cabra-montês

Os incêndios dos últimos dias já terão destruído “mais de metade” da Mata do Cabril, uma das três reservas integrais do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), admitiu hoje o director desta área natural.

Segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil, o incêndio na Mata do Cabril - uma das reservas integrais do Parque Nacional, no concelho de Ponte da Barca -, deflagrou a 13 de Agosto, às 08h46, e já está dominado desde ontem.

“Ainda não temos a verdadeira noção da área ardida, porque neste momento o que nos preocupa é combater o incêndio. Mas é provável que mais de metade da mata já tenha ardido”, disse Lagido Domingos.

Segundo o director do Parque Nacional, o incêndio continua por extinguir “porque o combate às chamas naquela zona é muito complicado”. “Têm andado lá os sapadores florestais os GIPS (grupos de intervenção, protecção e socorro) da GNR, apoiados por meios aéreos, mas infelizmente o resultado não tem sido grande coisa. É preciso que se perceba que não é nada fácil combater o fogo naquele vale encaixado”, salientou.

“O que me dizem, da Autoridade Nacional de Protecção Civil, é que o combate tem de ser feito por pessoal muito especializado e que conheça muito bem a zona”.

A Mata do Cabril é constituída por um carvalhal com grande expressão – dominado por carvalho-alvarinho -, embora também existam azevinhais na zona da cabeceira e uma galeria ripícola junto ao rio.

“Muitas destas espécies têm uma idade muito avançada e algumas acabaram por se perder com este incêndio”, disse ainda Lagido Domingos.

Miguel Dantas da Gama, do FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, lamentou este domingo ao PÚBLICO a perda de “vegetação primitiva” da Mata, que inclui azinhos e carvalhos centenários. No seu lugar irá surgir mato que, no futuro, facilitará a entrada das chamas. Por outro lado, a vegetação primitiva agora perdida servia de abrigo “a corsas, gatos-bravos, ginetas, anfíbios, reptéis, toupeiras-de-água e a um núcleo de cabra-montês”. “Neste momento, há 30 ou 40 neste vale e acabam por não ter muito sítio para fugir. Se calhar, vão para Espanha”, lamenta.

fonte: Público

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