sábado, 14 de agosto de 2010

'Superbactéria' assusta autoridades de saúde


Resiste aos antibióticos mais fortes e começa a aparecer nos Estados Unidos e na Europa, em doentes operados na Índia, em zonas de turismo. Em Portugal ainda não há casos.

Uma "superbactéria" capaz de resistir aos antibióticos mais potentes está a assustar as autoridades de saúde do Reino Unido, onde já foram identificados 50 casos. EUA, Austrália e Holanda também já encontraram microorganismos com este novo mecanismo de resistência, levando os especialistas a considerar que se trata de uma ameaça "clara e assustadora" à saúde pública.

Em Portugal, a coordenadora do Programa Nacional de Controlo da Infecção, Cristina Costa, não tem registo de ter sido identificada qualquer bactéria com este mecanismo. Mas reconhece que podem existir casos, até porque ainda não há um sistema de notificação obrigatória e "porque as pessoas viajam cada vez mais" (ver texto ao lado). O próprio Centro Europeu de Controlo de Doenças está ainda a desenvolver um sistema de alertas a nível europeu para estes casos, acrescenta.

Estas "superbactérias", capazes de produzir uma enzima chamada New Delhi metallo-beta-lactamase ou NDM-1, tornam-se resistentes a praticamente todos os tipos de antibióticos, incluindo os carbapenemos. "São os de última linha, usado quando todos os outros já não eficazes", explica.

Esta enzima foi descrita pela primeira vez em 2009 e pode tornar-se numa séria ameaça na guerra contra as bactérias e consequentemente para a saúde pública, alertam os especialistas na revista médica The Lancet.

Segundo um artigo publicado na última edição, este tipo de enzima já foi isolado em bactérias nos EUA, Canadá, Austrália e Holanda. Na maior parte dos casos, em doentes que tinham sido submetidos a cirurgias plásticas na Índia e Paquistão. No entanto, alguns doentes já tinham sido contaminados em hospitais ingleses.

Os investigadores alertam ainda para o perigo de este mecanismo passar para outras bactérias, já de si resistentes a antibióticos, criando infecções impossíveis de tratar. E o potencial para se espalhar a todo o mundo é "claro e assustador", escrevem.

Aliás, uma das infecções analisadas pelos investigadores já era resistente a todos os antibióticos. As outras têm sido tratadas usando uma combinação de medicamentos. A gravidade das infecções varia muito, mas alguns casos foram mortais, refere a BBC.

A maneira de controlar a disseminação destas bactérias, indica Cristina Costa, é apostar forte na prevenção das infecções - através de medidas tão simples como a lavagem das mãos e a desinfecção dos equipamentos hospitalares.

Por outro lado, é preciso controlar melhor a utilização de antibióticos. "É uma espécie de jogo do gato e do rato: à medida que utilizamos mais antibióticos, as bactérias desenvolvem resistências. Por isso, é importante poupar os antibióticos que temos, não os utilizando mal, para não se esgotarem." A especialistas salienta ainda que é preciso apostar no desenvolvimento de novos antibióticos - "uma actividade que não é muito rentável para a indústria farmacêutica, mas essencial".

Dada a gravidade da ameaça, as autoridades britânicas emitiram um alerta interno e prometem continuar a monitorizar a situação. Em Portugal, Cristina Costa revela que estão a ser preparadas uma série de medidas apara melhorar o combate às infecções.

fonte: DN

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