quarta-feira, 18 de agosto de 2010

'Superbactéria' ainda não chegou a Portugal


Direcção-Geral de Saúde diz não haver registo de doentes infectados, mas garante que as autoridades continuam atentas

Em Portugal, ainda não foram detectados casos de doentes afectados por bactérias multirresistentes, apelidadas de "superbactérias". No entanto, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) voltou ontem a sublinhar que "os laboratórios estão preparados para a detecção destas situações".

A "superbactéria", resistente a quase todos os antibióticos, já afectou doentes no Reino Unido, Canadá, EUA, Austrália, Bélgica e Holanda. O Reino Unido lançou o alerta em 2009, depois de terem sido registados vários casos mortais. A primeira morte na Bélgica foi divulgada na semana passada.

No Reino Unido, muitos dos doentes em que a "superbactéria" foi detectada tinham feito operações estéticas na Índia e Paquistão. Pelo que a DGS recomenda, no comunicado ontem divulgado, "a vigilância activa, principalmente em ambiente hospitalar e em doentes vindos da Índia e de outros países onde já existem casos descritos".

Mesmo sem casos confirmados em Portugal, o director do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Ricardo Jorge, José Calheiros, garante que "os especialistas estão a trabalhar para resolver estes casos de bactérias resistentes".

As bactérias em causa produzem uma enzima - a NMD-1 - que as torna capazes de resistir à maioria dos antibióticos utilizados actualmente. Os médicos temem que esta capacidade passe a outras bactérias. Esta resistência pode obrigar à produção de novos antibióticos.

O aparecimento de bactérias como esta não é novidade para os cientistas, conforme sublinha a DGS. "No mundo, desde o início do século, têm sido identificadas situações semelhantes e a solução deste problema passa pelo conhecimento dos mecanismos de resistência de modo a evitar a sua disseminação em ambiente hospitalar e na comunidade."

Uma das recomendações para evitar o aparecimento da bactéria multirresistente é usar os antibióticos "de forma prudente", acrescenta a nota ontem divulgada pela DGS e assinada pelo director-geral, Francisco George. A DGS e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge voltaram a divulgar informação sobre a "superbactéria", para negar a existência de doentes afectados em Portugal.

fonte: DN

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