domingo, 8 de agosto de 2010

A perigosa latitude de divulgar onde se está


Os grandes perigos de partilhar informação pessoal nas redes sociais salientam-se particularmente nesta altura do ano, quando muita gente vai de férias, divulgando que está fora de casa. Já quanto à vantagem da partilha de informação secreta, ela acentua-se no caso WikiLeaks, que esta semana abalou os Estados Unidos.

Partilhar informação pessoal nas redes sociais sobre onde se está ou para onde se vai pode não ser uma boa ideia em período de férias.

Um exemplo real demonstra o potencial dessa informação: um administrador do grupo Portugal Telecom partilha informação pessoal no Twitter que dá a saber onde vive e onde normalmente se encontra.

Em Fevereiro, mostrou uma fotografia com a frase "Da minha janela: frio e nuvens em Lisboa", que permitia detectar facilmente a sua habitação. Várias vezes, depois, demonstrou estar afastado de casa e, esta semana, repetiu como "Da minha janela: faz sol no meu país", poucas horas antes de escrever "New York aí vamos nós..."

Nenhuma das mensagens refere que a casa está sem habitantes mas o convite ao assalto é enorme para quem vasculha redes sociais à procura desta informação.

O mesmo ocorre com quem partilha no telemóvel a informação geográfica do local onde se encontra, em serviços online como o Foursquare, Gowalla, Loopt ou Brightkite. Também o Facebook tende a seguir os passos do Twitter, na opção "Tweet With Your Location", que imita o Google Latitude, serviço para telemóvel do Google Maps, ou de outras empresas, incluindo portuguesas.

Em Junho, um estudo da Webroot mostrou que 45% dos 1645 inquiridos que usam serviços de geolocalização temem assaltos à sua habitação mas, mesmo assim, 39% usa-os.

A preocupação acentua-se quando quase um terço dos inquiridos aceitou convites de estranhos para fazer parte da sua rede social, incluindo a partilha da sua localização por quase 30%.

As intenções destes serviços de geolocalização podem ser interessantes, permitindo partilhar um bom restaurante ou uma óptima praia, mas a partilha em redes sociais não será vista apenas por "amigos" genuínos.

Os perigos foram salientados em Fevereiro pelo entretanto desactivado projecto holandês PleaseRobMe.com (em tradução livre, "por favor, roubem-me"), que quis sensibilizar para a fácil detecção de utilizadores do Twitter e do Foursquare afastados de casa.

A par do conhecimento das escolhas pessoais dos utilizadores - apetecíveis para uma sofisticada secção de marketing de muitas empresas (a Google introduziu esta semana publicidade em telemóveis ajustada a uma zona geográfica) -, a partilha pública da informação geolocalizada é "irresponsável" pelas empresas que a promovem. "Os utilizadores estão a ser manipulados socialmente para permitir este grau de invasão da privacidade através da exagerada publicidade dos seus benefícios", afirma Simon Davies, director da inglesa Privacy Interna- tional.

fonte: DN

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